29/07/2020 às 13h35 - atualizada em 29/07/2020 às 13h41
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Redacao
Palmas / TO
Morreu na noite da segunda-feira (27) o artesão José Aprígio Lopes, mais conhecido como Mestre Aprígio, Patrimônio Vivo de Pernambuco. Aos 79 anos, o artesão do Couro, estava internado há cerca de oito dias. Mestre Aprígio era hipertenso e tinha uma doença crônica. Chegou a passar alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o filho de Mestre Aprígio, Romildo Aprígio, o pai estava internado no Hospital Regional Fernando Bezerra em uma sala próxima à UTI. Ele tinha apresentado melhoras. “Ontem eu conversei com o médico, que tinha dito que ele estava melhor. Mas depois piorou. Fizeram procedimento para reanimar”, disse Romildo.
Mestre Aprígio teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há mais de 10 anos, segundo Romildo Aprígio. O artesão do Couro faleceu no Hospital Regional. Segundo Romildo, o pai foi submetido na segunda-feira a um segundo teste da Covid-19 (SWAB). O primeiro tinha dado negativo. O resultado do SWAB deve sair em cerca de quatro dias.
Não haverá velório. O sepultamento será agora pela manhã no Cemitério de Ouricuri. Mestre Aprígio deixa a esposa, dois filhos e três netos.
Em nota, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, lamentou a morte de Mestre Aprígio.
"O convívio com os vaqueiros desde a infância, no Sertão pernambucano, e seu grande talento para o artesanato, fizeram do Mestre Aprígio um dos maiores artistas brasileiros no trabalho com o couro. Autor de lindas peças, seus chapéus, gibões e sandálias vestiram nomes como Luiz Gonzaga, Gonzaguinha e Dominguinhos, entre tantos outros. Eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2019, seu legado permanecerá como uma referência indelével no cenário artístico e cultural do nosso Estado. Quero me solidarizar com seus familiares e amigos neste momento de dor".
Mestre Aprígio foi eleito em 2019 patrimônio Vivo de Pernambuco. Ele foi um dos seis escolhidos pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Recife na 14º edição do Concurso do Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco (RPV-PE). Mestre Aprígio estava em plena atividade na arte do couro em Ouricuri, atividade acompanhada pelos filhos.
Nascido em 1941, Mestre Aprígio era natural de Exu, no Sertão de Pernambuco. O artesão era o predileto do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. “Eu tenho umas encomendas para você fazer para eu usar nos meus shows. Não é negócio para vaqueiro. Só para quando eu estiver no show”, lembrava Mestre Aprígio sobre o primeiro pedido de encomendas feito pelo Rei do Baião.
“O couro é minha vida”, dizia o Mestre Aprígio. Quando pequeno, ele acompanhava o pai no trabalho na roça. As roupas de couro dos vaqueiros começaram a chamar a atenção do garoto, que, na época, tinha apenas 11 anos. Foi ali que a arte do couro começou a adentrar sua imaginação. Aos 15 anos começou, de fato, a produzir algumas peças, com o auxílio de uma faca, um esmeril e um compasso. “Eu acho que é um dom, né? Porque muita gente se instrui para trabalhar, mas a gente vê que não dá pra aquela arte”, dizia Mestre Aprígio ao falar sobre suas habilidades em produzir peças de couro.
Com a morte do pai, aos 15 anos, Mestre Aprígio foi trabalhar com o Mestre Juarez, no Crato, Ceará, onde ficou por cerca de três anos. Voltou a Pernambuco, como artesão profissional e passou a se destacar com as produções de gibões, sandálias, chapéus e outras peças de couro.
FONTE: Amanda Franco, G1 Petrolina
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