25/05/2021 às 01h18
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Redacao
Palmas / TO
Na insistência de quem sabe o que quer, Cátia de França lançava o 20 Palavras ao Redor do Sol em maio de 1979, denunciando a rebeldia do Nordeste, questionando um Sertão bem masculino e elevando seu espaço enquanto artista. 42 anos depois, o disco ganha um relançamento pela Três Selos e a cantora reflete sobre sua trajetória como uma das vozes e composições mais potentes da música popular brasileira. "Um atestado de que minha música é eterna", disse ao G1.
Apesar de sua grandeza, Cátia é humilde ao falar que o disco na verdade não começou nas gravações no Rio de Janeiro, mas na Rua Almeida Barreto, no Centro de João Pessoa. “Na maioria das histórias das pessoas, tem que falar da mãe. É na mãe que começa tudo", fala a cantora ao agradecer a presença da literatura em sua vida, fruto de muito incentivo da sua mãe Adélia de França.
Primeira professora negra da Paraíba, ela alfabetizou Cátia cantando. A artista começou aos quatro anos com o piano que a mãe deu, para despertar o amor. Além disso, o instrumento na época era muito chique para as moças. “Introduzir sem sentir; quando vê já foi (...) quando ela viu que eu tomei gosto aí pronto. Mas só fui ganhar o piano definitivo que tenho até hoje aos 12 anos, que ela comprou com o salário de professora, já pensou?”.
Além dos discos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, os livros também foram uma forte presença e uma de suas maiores alegrias era quando eles chegavam pelos correio. O pai não gostava muito da questão da música, queria que ela estudasse: “Era primeiro os livros, depois a gente conversa. Podia faltar manteiga, mas livro não”.
Foi com essas influências que a artista tomou gosto pelas obras de José Lins do Rêgo, João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa - que foram seu alicerce para as composições do 20 palavras ao Redor do Sol.
A soma de um 'bucado' de coisa
Cátia seguiu no piano clássico até 62, quando foi para um internato em Belém de Maria, no interior de Pernambuco. Adélia não queria ver a única filha sem música e transportar um piano por tantos quilômetros seria muito difícil. Então Cátia ganhou um violão, não dava para ir sem um instrumento. “Depois virei centauro, metade mulher metade violão”. Foi um seresteiro do bairro de Jaguaribe chamado Ronaldo que a ensinou a tocar antes da mudança. Assim, a música popular se instalou em sua vida.
“Enquanto mamãe mandou em mim era música clássica, mas eu não via pelo mundo tocando peças de grandes nomes. Eu sou uma soma de um 'bucado' de coisa. O que me seduzia mesmo era o popular”, explica Cátia para lembrar quando gravou sua primeira música. Foi em 1966, com uma parceria com o poeta de Diógenes Brayner. A música era "Mariana" e ganhou o Festival Expedito Gomes com muito barulho. Para a data, era inédito e escandaloso uma mulher tocando guitarra.
FONTE: G1 PB / por Lara Brito
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